<
     
 
     
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   

 

 

 cultura rastafari

Quem foi Rastafari?

A origem de Rastafari está numa região geográfica específica, o Vale do Nilo, uma grande área que inclui o Egipto a norte e a Etiópia a sul. Rastafari reconhece Ra, reverenciado pelos egípcios como o deus do sol, como uma força revitalizante e defendem que a humanidade não está separada ou é diferenciada de Deus, Jah, uma abreviação para Jehovah. No coração de Rastafari estão os mistérios egípcios, que podem ser encontrados no Livro dos Mortos Egípcio.
No tempo do Rei Salomão, a Rainha Makeda reinava sobre o império de Sabá, que consistia na Etiópia, Egipto e parte da Pérsia. O Rei Salomão converteu a Rainha Makeda ao Deus de Abraão e o filho de ambos faria uma viagem, ainda jovem, desde Sabá a Jerusálem, onde aprendeu sobre o Judaísmo para ir ensinar o povo da terra da sua mãe.
Assim começou a Igreja Ortodoxa Etíope, uma forma pura de Cristianismo que manteve as ligações ao seu passado judaico e egípcio (todos os elementos contidos em Rastafari). Esta igreja teve uma grande influência sobre o 225º Rei da linhagem solomónica, Ras Tafari, o Imperador Haile Selassie I da Etiópia que descendia directamente do Rei David, que, por sua vez, descendia de Moisés.
Ras Tafari, (literalmente Príncipe da Paz) causou assim a origem do movimento que assumiria o seu nome, o movimento Rastafari. Os Rastas, ou seja, os seguidores de Rastafari, visam construir um mundo de verdadeira irmandade, entre humanos de todas as raças, cores ou credos e também de harmonia com os animais e as plantas que são nossos semelhantes visto estarmos todos ligados por um elo comum: a Natureza.
A ideologia Rastafari tem vindo a desenvolver-se desde a sua formação nos anos 30 e cada vez mais se adapta aos moldes de cultura espiritual, pois é uma cultura que traz consigo um estilo de vida, de vivência, mas que também traz consigo um forte carácter espiritual. A religião foi um sistema inventado para tentar organizar numa só estrutura todas as tendências espirituais das várias pessoas.
No entanto, Rastafari é uma cultura de vida, de espírito e não uma disciplina regrada acerca de como devemos compreender o mundo e nos relacionarmos com ele. É apenas um regresso às nossa origens, ao modo de vida que os nossos antepassados levavam antes de nós, um vida de respeito pela humanidade e de cooperação com a Natureza. Uma cultura que se foi perdendo ao longo dos tempos e que hoje parece tão distante. Hoje é-nos difícil pensar que é possível viver simplesmente com amor e paz. Que é possível levar uma vida baseada apenas nas relações e sentimentos que sempre marcaram os humanos e ainda hoje orientam os animais. Relações de irmandade, de mútuo benefício e sentimentos de paz e amor.
Os Rastas levam uma vida pacífica de acordo com as Escrituras, uma vida de devoção à Natureza (à Criação) e à Humanidade. Um verdadeiro Rasta caracteriza-se pela prática do bem, uma vida justa e de compaixão para com os seus irmãos e irmãs e uma luta pela justiça social e igualdade. A Fé Rastafari pode ser interpretada de várias formas e quase todos os Rastas têm as suas próprias ideias pessoais acerca das coisas.
 
As raízes de Rastafari são o pensamento de Marcus Garvey e as palavras de Haile Selassie I. Segundo consta, num domingo em 1926, Garvey, durante a missa terá dito: "Olhem para Leste, para Àfrica, onde um negro será coroado Rei."

Discurso de Selassie ás nações unidas

 "Maio passado, em Adis Abeba foi convocada uma reunião de Chefes de Estados e Governos Africanos. Em três dias, as trinta e duas nações representadas na Conferência demonstraram ao mundo que quando a vontade e a determinação existe, nações e pessoas de diferentes vivências podem e irão trabalhar em unidade para alcançar objectivos comuns e assegurar a igualdade e irmandade que todos desejamos."
"Apesar da nossa posição em relação aos blocos do poder ser identificada como a da política dos ‘não-alinhados’, o nosso passado histórico prova que sempre nos esforçamos por cooperar com todas as nações, sem excepção. Assim, um dos principios fundamentais que acordámos na Conferência de Cúpula de Adis Abeba dá força ao nosso desejo fundamental de viver em harmonia e em cooperação com todos os Estados."
"No que toca à questão da discriminação racial, a Conferência de Adis Abeba ensinou a todos os que irão aprender esta futura lição; que, enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada; que, enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de qualquer nação; que, enquanto a cor da pele de uma pessoa não for de maior importância que a cor dos seus olhos; que, enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar uma ilusão fugaz, de ser perseguida mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições sub-humanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa-vontade, enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a paz. Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal."
"As Nações Unidas têm feito muito, tanto directa como indirectamente, para acelerar o desaparecimento da discriminação e opressão na Terra.
Sem a oportunidade de focalizar a opinião mundial em Africa e na Àsia, que esta organização tem favorecido, o objectivo poderia ainda, para muitos, estar longe e a luta demoraria ainda muito mais. Por isto, estamos deveras agradecidos.